Dulcinéia Catadora é um coletivo que publica livros de autores novos com capas de papelão pintadas à mão por catadores. Os livros são vendidos por R$6,00. Apóia-se em um tripé: social, artístico e cultural. É um projeto híbrido, transdisciplinar.
O projeto derivou do Eloísa Cartonera, um coletivo que iniciou suas atividades na Argentina há quatro anos, reconhecido em vários países por sua atuação artística e social, e convidado para participar da 27ª Bienal de São Paulo. Apresentou-se no pavilhão como uma oficina em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros.
Após a Bienal surgiu seu projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que começou a funcionar no Brasil a partir de 2007.
Convém falar das premissas do projeto, que casam bem com o tema da Bienal: Como Viver Junto, inspirado por Roland Barthes (em seus cursos ministrados no Collége de France entre 1976 e 1977, escolhido para abordar uma das questões mais prementes da vida pública: como estabelecer uma base de comunicação viável entre grupos e nações que se escutam cada vez menos?
O projeto funda-se na percepção da vida cotidiana como processo criativo. Tem como conceito-pivô a troca, a interação, a ação. Essa ação não é simplesmente um meio de convivialidade, mas uma «ferramenta cognitiva», uma forma de gerar sentido e conteúdo.
O coletivo acredita que a convivência entre pessoas com origens, atividades, experiências e visões de mundo diversas, é benéfica e enriquecedora para todos os participantes. Os diálogos transformam o resultado do trabalho. Visa-se à valorização do catador, à inclusão social, abrir novas possibilidades de atividades profissionais, desenvolver seu potencial artístico. Ressalte-se que, antes de gerar renda, as atividades no atelier promovem a auto-estima, a troca de experiências, geram o prazer de criar. A oficina é um espaço aberto, que procura estabelecer encontros intersubjetivos. (Entenda-se intersubjetividade como a consciência de ambos os lados da experiência perceptiva: de que ela é formada através de técnicas e práticas externas e através das capacidades subjetivas do próprio corpo e do sistema nervoso do observador).


